Recomeçar o Azul. Terminar o Azul. Desejar o Azul. A tela, que subitamente se encheu em poucos minutos desvaneceu-se no Ar. O Pintor outrora apaixonado e fervente deixou que a mente dominasse cada momento, embora desejasse continuar aquela que poderia ser a tela da sua vida. Nas hesitações, nas dúvidas, no certo e errado, uma decisão foi tomada. Mas era a mente que falava.
Não era o coração que de emoções transbordava. Envolvidos num abraço, numa mistura de sensações e com o Universo a ecoar notas musiciais, despediram-se.
Ele, pintor de sonhos azuis, de dádivas dolorosas, envolveu num abraço todo um final destinado. Mas queria mais, queria descobrir porque é que tinha tanta vontade de se descobrir nela. A cor, de sangue fervente, deixou uma tela por pintar, pintando a saudade no Ar. Despediram-se. Uma história de Arte nunca descoberta, nunca vivida mas desejada. Um desejo de mais, de viver uma vida de partilha de imagens, de pinturas nunca antes alcançadas, de sonhos profundos realizados. A cor desvaneceu-se e saiu daquele abraço, daquela Tela que tinha apenas alguns traços.
O pintor não desistiu do seu coração e desenhou, a carvão, sem cor e apenas para si a obra que representa toda a Arte que ambos sentiram. Guardou-a no coração e fechou-a para si. Quem sabe um dia a Cor regresse e terminem juntos o que nunca chegou a começar. Por Agora fica aquele Azul eternizado, no momento, perfeito, verdadeiro.
