
Ela saiu de casa, atravessou a rua e encontrou o mar. Olharam-se, envolveram-se e o por do sol piscou-lhe o olho como quem diz "vem sentar-te aqui à beira mar". A cada pegada que dava sentia-se mais leve, a ser invadida pela calma que procurara o dia inteiro. Sentia apenas a brisa do mar a fazer-lhe cócegas nos cabelos e a arrepiar-lhe a pele. Sorriu. Deixou que o sol lhe beijasse os arrepios e lhe aquecesse o coração. Na verdade, era tudo o que desejava, deixar de pensar e tão somente sentir. Pediu ao sol que lhe desse forças, que a ajudasse a pensar que os caminhos de mudança trazem sempre um ar fresco às nossas vidas e que lhe relembrasse como sempre adorou desafios. Sentou-se na areia e enterrou os seus pés na areia molhada. Inspirou. Fechou os olhos. Sentiu-se. Ficou ali a ver o movimento das ondas, um vai-vem de emoções, de paz, de calmia. Concentrou-se apenas no som que o mar faz ao contar os seus romances com o mundo. Sem se dar conta, o sol morreu dentro do mar. O céu estava pintado em tons de rosa, pastel, vermelho e amarelo e os tons azuis e roxos começavam agora a despontar. Desejou ardentemente saber para agarrar aqueles momentos e eternizá-los. Os olhos brilhavam ao ver aquela dança de cores e a bebé lua começava agora a nascer no mar. As horas passaram dentro de si e a misteriosa lua refletia agora as suas emoções nas águas do mar. Sentiu-se totalmente preenchida, completa. Deu as mãos ao silêncio, levantou-se e começaram a andar. Era hora de voltar para casa.
Transmite tanta paz e tanta vontade de fazer o mesmo! Sentir e deixar fluir pensamentos sem os agarrar. Respirar fundo e recuperar as forças. Dar tempo ao corpo e à mente para depois abraçar as lutas diárias.
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